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* * * 26/07/1947 - + 15/02/2007 * * *

 

* * Depoimento de Lucia Trigueiro * *

ZELISA CAMARGO
GRANDE POETA
MÃE  ESPIRITUAL DO CORAÇÃO


Deus contemplação
meditação reflexão
vida natureza sol lua vento
 que num sopro levou
deixando brisa da saudade
sendo forte para aceitar
difícil processo
quantas vezes pedi a Deus
 para tirar sua dor e fazê-la minha
quantas vezes dizia
Eu seria capaz de caminhar
 milhares de kilometros buscando tua alegria
antes que Eu partisse conseguia um sorriso teu
Viver é ter alegria para contar
morrer é acesso para elevação de espírito
quando lutamos por um ideal
 todo Universo conspira
seu talento lapidado fez brilhar grande estrela
 poeta amiga Mãe divina do coração
acreditando na Sabedoria de Deus
por sua índole é resultado dessa criação
hoje essência determinando um corpo de luz
caminhando em paz
meu carinho sempre
beijo teu amado coração
Lucia Trigueiro
26.06.2007

* *   * *

POESIAS


ESSÊNCIA


Zelisa Camargo


Queira-me pela minha essência
Pela minha alma.
Minha face obscura não
 reflete no espelho.

 O corpo em que habito não é meu
os passos que caminho
não me pertence.

Estou além desta matéria.
Tenha-me como pássaro livre.
Sem pés mãos e corpo.
Sou o vento que sopra alma.
Sou voz que ecoa no espaço..
Sou caminhante das nuvens.
 Liberta de toda carcaça.
Livre como a água do rio
 que corre para o mar.
Um dia minha face verdadeira
chegará a você.
O casulo ainda não rompeu.
A borboleta ainda não se despontou.
Sou apenas fragmentos...
Queira-me sem rosto
Sem mãos  pés.
Queira-me apenas pela essência.
Queira-me toda
Não fragmentos de mim.
Um dia
Deparo-me com você.
A redoma limita o amor emanar.

A carcaça falsa não permite ser amor.
Deixe-me ser primeiro.
Deixe-me buscar
 minha verdadeira face.
Mas... hoje habito uma carcaça
que não é minha.
Dê-me tempo para ser.
Pois hoje flutuo no espaço sem tempo
Mas o que importa é que
Estou renascendo ...


***   * * *

... Ah! Poetas...
          zelisa camargo  

Sim... Poetas
como são doloridos o sentir, o amar
o sonhar nossos sonhos impossíveis
nosso navegar mundos desconhecidos
onde nosso todo sentir extrapola a razão
e nos tornamos apenas  sentimentos vividos
em sonhos sonhados e realizados em nossa imaginação
que de tão forte enchem nossa taça do néctar
que lentamente degustamos com o maior êxtase de nós
mesmo  em uma eterna comunhão de corpos e almas
que se entrelaçam num dançar cósmico e infindo.
Ah! Poetas
como seria o amor se não fossem a nossa sensibilidade
a nossa maneira de expressar o nosso amor
e cantar em versos e prosas para nosso ser amado
para nosso amor verdadeiro que preenche nosso viver
mesmo na distância e impossibilidade de sermos presença
constante e fisica, mas a alma busca
e sente todos os prazeres
e nesse sonhos e desvarios navegamos sempre
em busca de nós e de tudo que acalenta nossa alma
e viver. Ah! minha alma poeta
sem ela não viveria nesse mundo ainda tão cheio de
desamor.
Pois o Poeta é puro amor em versos e prosas
e não tem vergonha de cantar seu amor.
E minha alma nunca há de calar
enquanto aqui respirar.
E cantarei meu amor a cada minuto vivido
Pois és pra ti que hoje vivo
Minha doce amada de meus sonhos
De meus reencontros e completar.


***   * * *

ALÉM
zelisa camargo

além de mim
de ti
do próprio mundo
da vida que foi
que será e é
além do infinito
do próprio jeito de ser
sendo rotina girante
sendo inércia matando.
além de mim
você.
além de nós
o mundo inebriando nossos passos.
a vida despetalando em cada amanhecer.
o amor enobrecendo cada ser que vive.
além de nós
a lentidão dos dias cansados
da felicidade matreira
do sorriso infantil
muito além
a vida se esvai como um sopro.

* * *   * * *


ALMA JOVEM
Zelisa Camargo

Minha alma vem de longo eons,
mas sempre carregando a sua criança
dentro de si e dançando na roda da
vida.
Pois a vida é uma eterna ciranda
e nós, as crianças a dançarem
livremente e não importando
com a carcaça que o tempo definha,
mas se a alma é jovem
sempre seremos alegres e felizes
e levaremos a esperança,
a experiência adquirida
pelos caminhos percorridos
para todos que necessitam de uma palavra,
de um conselho.
Eis a síntese da vida.
Sempre semeando o amor por onde
passamos para que a humanidade
seja uma eterna juventude
e cante somente as
canções de amor.

* * *   * * *



O AMOR DE UM LOBO
Zelisa Camargo

Lobo cativo de errantes caminhos
carregando teu amor eterno
zelando pela tua amada
em cada caminhada,
segue ao longo da estrada
por todos os caminhos.
Mira a lua e uiva com dor d\'alma
por não poder manifestar e vivenciar teu amor
mas o vive intensamente,
despojadamente,
acalentando n|'alma a essência divina
desse encontro permitido,
mas não vivenciado em essência.
Amor de lobo que sabe entender a amada
seus conflitos, suas dores, angustias e solidão
e sempre ao teu lado caminha em silêncio,
sendo apenas presença constante.
Nunca ausente.
Dolorido o cantar
e o viver desse amor
que é guardado , apenas sentindo
seu emanar e fluir.
Olhos que se cruzam na calada da noite
e comungam o amor maior.
E tua alma enobrece nesse abraço
onde somente as almas se tocam
em suavidade desse imenso amor.
Assim segue tuas trilhas
sempre sozinho, mas presente
e zelando.
Feliz em sua maneira de amar.
Dentro dessa impossibilidade.
Mas o verdadeiro amor não exige nada.
Apenas se doa em totalidade.
Lobos das madrugadas,
caminhantes a deriva,
solitários,
uivando na lua cheia
onde teus lamentos
junta à natureza
e o fortalece
para ser o eterno peregrino
das caminhadas
solitárias
ao lado do ser que ama.

* * *    * * *


Ao vento
Zelisa camargo
 


Tempo nublo
Fechando alma
Rompendo a sintonia de paz.
Vazio total
Vacuidade
Som entra e rasga peito
A angustia cresce
E no caminhar ao nada
Busco você
A mim.
Minha essência.
Uma lágrima desce lento
Lavando a dor incontida
E você que nem face tem
Onde se encontra?
Não aguento mais esse ser só
Este pulsar vida,
Este querer romper.
Solidão imensa.
Voz sem som.
Lágrimas que caem lentas,
Molhando o  tempo  do desamor.
Saudades de você
Alma que me completa,mas não chega.
O que fazer desse amor que grita sem voz?
Dessas mãos que procuram o tato e nada encontra?
O que fazer desta solidão gritante?
Deste vazio tão oco?
Como te buscar se não sei o caminhho
Como andar se não encontro as pernas
Como te abraçar se me faltam os braços
E onde se encontra que não escuta o meu apelo,
Não percebe esta dor.
Esta unidade que caminha só
Que fazer deste sentir que explode peito.
Como fazer para chegar a você
Esse grito e clamor?
Minha voz muda navega á tua procura
Meu ser te busca nesta espera incessante.
Porque não acorda e percebe o meu gritar que rompe dimensões?
E porque não vens a mim que morro de espera e angustia.
Vazia alma repleta de amor.
Que caminha em sua busca, mas em que plagas não sei
Sinto seu emanar, mas não percebo sua face
Sinto  seu cheiro de vida no ar,
 mas não consigo captar
O lugar em que se encontra...
Jogo meu apelo ao vento para  ele que o leve a você.

* * *    * * *


APENAS UM DIVAGAR
zelisa camargo


Chove
Chuva
Silêncio total
Silêncio n’alma.
É gostoso o romper da madrugada.
Sentir os pingos baterem lento na janela.
Este vento que entra forte.
É uma solidão imensa,
Mas gratificante.
Penso em você
Em sua vida.
Em seu tudo.
É uma saudade que dá,
Uma vontade de ser um pássaro e voar até seu ninho.
Vejo-a deitada
Recolhida.
E observo com calma
É gostoso te ver nesta distância,
Observar seu respirar
Este sono gostoso
Esta mão no rosto
Este semblante calmo.
Parece um anjo.
Faz me feliz.
Não consigo por mais que queira te esquecer.
Vivo você nesse silêncio,
Nessa madrugada tranqüila,
Isso tudo é maravilhoso,
faz bem a alma,
A gente se sente vivo.
Valeu a pena
Esse navegar a deriva a sua procura
E valera muito mais.
Durma em paz
Amor de minha vida.



* * *   * * *


APENAS UM LAMENTO
Zeliza Camargo

Meu ser busca hoje o que ainda
resta de mim
de minhas andanças
e de retalhos em retalhos
tento refazer novamente
minha unidade
que se encontra perdida
nesse infindo espaço
sem tempo de nada ser.
É querer plainar no vôo eterno findar
dilacerar o que mata lento
que doe alma
que faz pranto calado
nas madrugadas da vida
nos encontros
nos amores que busco
e que me completa
mas distantes estão
e dentro da impossibilidade de ser
presença sentida
em momento de desejos
e solidão que amarga
que tritura
que range
dilacera nosso ser
e nessa busca seguimos avante
e nosso uivo se perde
nas caladas
uivo rouco
doidivano
em busca de mim
do ficar aqui
do querer permanecer
mas o todo querer
apenas plainar
e nunca mais voltar
apenas fazer o meu vôo calado
rumo minha montanha
minha casa verdadeira
minha morada
onde sou eu
pássaro ligeiro
liberta de todos os elos
sendo apenas amor.

* * *     * * *