ESSÊNCIA
Zelisa Camargo
Queira-me pela minha essência
Pela minha
alma.
Minha face obscura não
reflete no
espelho.
O corpo em que habito não é meu
os passos
que caminho
não me pertence.
Estou além desta matéria.
Tenha-me como pássaro livre.
Sem pés mãos e corpo.
Sou o
vento que sopra alma.
Sou voz que ecoa no espaço..
Sou
caminhante das nuvens.
Liberta de toda carcaça.
Livre
como a água do rio
que corre para o mar.
Um dia minha
face verdadeira
chegará a você.
O casulo ainda não rompeu.
A borboleta ainda não se despontou.
Sou apenas fragmentos...
Queira-me sem rosto
Sem mãos pés.
Queira-me apenas
pela essência.
Queira-me toda
Não fragmentos de mim.
Um
dia
Deparo-me com você.
A redoma limita o amor emanar.
A carcaça falsa não permite ser amor.
Deixe-me ser
primeiro.
Deixe-me buscar
minha verdadeira face.
Mas... hoje habito uma carcaça
que não é minha.
Dê-me
tempo para ser.
Pois hoje flutuo no espaço sem tempo
Mas o
que importa é que
Estou renascendo ...
*** * * *
... Ah!
Poetas...
zelisa camargo
Sim... Poetas
como são
doloridos o sentir, o amar
o sonhar nossos sonhos
impossíveis
nosso navegar mundos desconhecidos
onde nosso todo
sentir extrapola a razão
e nos tornamos apenas sentimentos
vividos
em sonhos sonhados e realizados em nossa
imaginação
que de tão forte enchem nossa taça do néctar
que
lentamente degustamos com o maior êxtase de nós
mesmo em
uma eterna comunhão de corpos e almas
que se entrelaçam num
dançar cósmico e infindo.
Ah! Poetas
como seria o amor se não
fossem a nossa sensibilidade
a nossa maneira de expressar o nosso
amor
e cantar em versos e prosas para nosso ser amado
para
nosso amor verdadeiro que preenche nosso viver
mesmo na distância
e impossibilidade de sermos presença
constante e fisica, mas a
alma busca
e sente todos os prazeres
e nesse sonhos e
desvarios navegamos sempre
em busca de nós e de tudo que acalenta
nossa alma
e viver. Ah! minha alma poeta
sem ela não viveria
nesse mundo ainda tão cheio de
desamor.
Pois o Poeta é puro
amor em versos e prosas
e não tem vergonha de cantar seu
amor.
E minha alma nunca há de calar
enquanto aqui
respirar.
E cantarei meu amor a cada minuto vivido
Pois és pra
ti que hoje vivo
Minha doce amada de meus sonhos
De meus
reencontros e completar.
*** * * *
ALÉM
zelisa
camargo
além de mim
de ti
do próprio mundo
da vida
que foi
que será e é
além do infinito
do próprio jeito de
ser
sendo rotina girante
sendo inércia matando.
além de
mim
você.
além de nós
o mundo inebriando nossos
passos.
a vida despetalando em cada amanhecer.
o amor
enobrecendo cada ser que vive.
além de nós
a lentidão dos dias
cansados
da felicidade matreira
do sorriso infantil
muito
além
a vida se esvai como um sopro.
* * * * * *
ALMA JOVEM
Zelisa Camargo
Minha alma
vem de longo eons,
mas sempre carregando a sua criança
dentro
de si e dançando na roda da
vida.
Pois a vida é uma eterna
ciranda
e nós, as crianças a dançarem
livremente e não
importando
com a carcaça que o tempo definha,
mas se a alma é
jovem
sempre seremos alegres e felizes
e levaremos a
esperança,
a experiência adquirida
pelos caminhos
percorridos
para todos que necessitam de uma palavra,
de um
conselho.
Eis a síntese da vida.
Sempre semeando o amor por
onde
passamos para que a humanidade
seja uma eterna
juventude
e cante somente as
canções de amor.
* * * * * *
O AMOR DE UM LOBO
Zelisa
Camargo
Lobo cativo de errantes caminhos
carregando teu
amor eterno
zelando pela tua amada
em cada caminhada,
segue
ao longo da estrada
por todos os caminhos.
Mira a lua e uiva
com dor d\'alma
por não poder manifestar e vivenciar teu
amor
mas o vive intensamente,
despojadamente,
acalentando
n|'alma a essência divina
desse encontro permitido,
mas não
vivenciado em essência.
Amor de lobo que sabe entender a
amada
seus conflitos, suas dores, angustias e solidão
e sempre
ao teu lado caminha em silêncio,
sendo apenas presença
constante.
Nunca ausente.
Dolorido o cantar
e o viver desse
amor
que é guardado , apenas sentindo
seu emanar e
fluir.
Olhos que se cruzam na calada da noite
e comungam o
amor maior.
E tua alma enobrece nesse abraço
onde somente as
almas se tocam
em suavidade desse imenso amor.
Assim segue
tuas trilhas
sempre sozinho, mas presente
e zelando.
Feliz
em sua maneira de amar.
Dentro dessa impossibilidade.
Mas o
verdadeiro amor não exige nada.
Apenas se doa em
totalidade.
Lobos das madrugadas,
caminhantes a
deriva,
solitários,
uivando na lua cheia
onde teus
lamentos
junta à natureza
e o fortalece
para ser o eterno
peregrino
das caminhadas
solitárias
ao lado do ser que
ama.
* * * * * *
Ao vento
Zelisa camargo
Tempo nublo
Fechando alma
Rompendo a
sintonia de paz.
Vazio total
Vacuidade
Som entra e rasga
peito
A angustia cresce
E no caminhar ao nada
Busco
você
A mim.
Minha essência.
Uma lágrima desce
lento
Lavando a dor incontida
E você que nem face tem
Onde
se encontra?
Não aguento mais esse ser só
Este pulsar
vida,
Este querer romper.
Solidão imensa.
Voz sem
som.
Lágrimas que caem lentas,
Molhando o tempo do
desamor.
Saudades de você
Alma que me completa,mas não
chega.
O que fazer desse amor que grita sem voz?
Dessas mãos
que procuram o tato e nada encontra?
O que fazer desta solidão
gritante?
Deste vazio tão oco?
Como te buscar se não sei o
caminhho
Como andar se não encontro as pernas
Como te abraçar
se me faltam os braços
E onde se encontra que não escuta o meu
apelo,
Não percebe esta dor.
Esta unidade que caminha
só
Que fazer deste sentir que explode peito.
Como fazer para
chegar a você
Esse grito e clamor?
Minha voz muda navega á
tua procura
Meu ser te busca nesta espera incessante.
Porque
não acorda e percebe o meu gritar que rompe dimensões?
E porque
não vens a mim que morro de espera e angustia.
Vazia alma repleta
de amor.
Que caminha em sua busca, mas em que plagas não
sei
Sinto seu emanar, mas não percebo sua face
Sinto seu
cheiro de vida no ar,
mas não consigo captar
O lugar em
que se encontra...
Jogo meu apelo ao vento para ele que o
leve a você.
* * * * * *
APENAS UM DIVAGAR
zelisa camargo
Chove
Chuva
Silêncio total
Silêncio n’alma.
É gostoso o romper da madrugada.
Sentir os pingos baterem
lento na janela.
Este vento que entra forte.
É uma solidão
imensa,
Mas gratificante.
Penso em você
Em sua vida.
Em seu tudo.
É uma saudade que dá,
Uma vontade de ser um
pássaro e voar até seu ninho.
Vejo-a deitada
Recolhida.
E observo com calma
É gostoso te ver nesta distância,
Observar seu respirar
Este sono gostoso
Esta mão no
rosto
Este semblante calmo.
Parece um anjo.
Faz me
feliz.
Não consigo por mais que queira te esquecer.
Vivo
você nesse silêncio,
Nessa madrugada tranqüila,
Isso tudo é
maravilhoso,
faz bem a alma,
A gente se sente vivo.
Valeu a pena
Esse navegar a deriva a sua procura
E
valera muito mais.
Durma em paz
Amor de minha vida.
* * * * * *
APENAS UM LAMENTO
Zeliza Camargo
Meu
ser busca hoje o que ainda
resta de mim
de minhas
andanças
e de retalhos em retalhos
tento refazer
novamente
minha unidade
que se encontra perdida
nesse
infindo espaço
sem tempo de nada ser.
É querer plainar no vôo
eterno findar
dilacerar o que mata lento
que doe alma
que
faz pranto calado
nas madrugadas da vida
nos encontros
nos
amores que busco
e que me completa
mas distantes estão
e
dentro da impossibilidade de ser
presença sentida
em momento
de desejos
e solidão que amarga
que tritura
que
range
dilacera nosso ser
e nessa busca seguimos avante
e
nosso uivo se perde
nas caladas
uivo rouco
doidivano
em
busca de mim
do ficar aqui
do querer permanecer
mas o todo
querer
apenas plainar
e nunca mais voltar
apenas fazer o
meu vôo calado
rumo minha montanha
minha casa
verdadeira
minha morada
onde sou eu
pássaro
ligeiro
liberta de todos os elos
sendo apenas amor.
* * * * * *


